S E R P E N T E

A serpente consciente 
Do seu corpo vertebrado 
Se contorce em teu útero 
Como intestino delgado
E adentra subitamente
A umidade da sua Mata Atlântica 
Entre suas pernas, Atlântida 
Um país em apneia
Seu ovário é um berço 
Um ninho de jararacas 
Fauna, flora, Terra Oca 
Um palácio de esmeraldas
Sangue frio, suor quente 
O seu corpo enfim desperta 
Com o susto expele o suco 
Chora seiva, chora esperma

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